26. jul, 2015

AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

PROJETO DE PESQUISA

 

Curso: Pós-Graduação Latu-Sensu em EAD

Disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso

Professora: Daniela Rocha

Cursista: Cecília Xavier de Macedo

Tutora: Andrea Aparecida Ruas Ramos

Grupo: B

 

 

 

1. TEMA

 Avaliação na Educação a Distância

 

2. JUSTIFICATIVA

 

                   Os cursos em Educação à Distância estão crescendo cada dia mais devido à procura de pessoas que sentem necessidade e vontade em fazer um curso superior, técnico ou de pós-graduação e não podem ausentar-se de suas casas para cursá-los presencialmente por vários motivos. Algumas pessoas têm filhos e não tem com quem deixá-los para estudar fora de suas casas, outras não tem meios de transportes para locomover até a instituição de ensino, outras não têm tempo disponível para se dedicar aos estudos, enfim, as pessoas querem estudar, mas por inúmeros motivos é difícil que ocorra de forma presencial e por isso buscam estudar à distância.

                   Estudos tem comprovado que a Educação à Distância tem a mesma qualidade de ensino que a presencial, mas exige um perfil específico de aluno. O estudante precisa ter autonomia, disciplina, responsabilidade e estudar bastante. Além disso, na educação à distância é essencial a utilização de tecnologias da informação e comunicação e métodos de avaliação eficientes e diversos para mediar o processo de construção do conhecimento. Por isso surgiu o interesse em investigar como os alunos são avaliados e repensar em novas formas para o mesmo, qual a importância de métodos variados de avaliação nos cursos à distância, quais são esses métodos e como eles contribuem para a construção do conhecimento dos estudantes.

 

3. QUESTÕES NORTEADORAS

 

- Como avaliar o aluno de forma integral na Educação a Distância?

- Quais as diferentes formas de avaliar o aluno?

- Podemos inserir as redes sociais mais usadas pelas pessoas como Facebook e Watsapp no processo ensino-aprendizagem na Educação a Distância para uma maior interação dos alunos no curso?

 

 

4. OBJETIVOS

 

GERAIS

 

- Investigar a importância da Avaliação na Educação à Distância;

- Conhecer as várias formas de avaliar presentes nos cursos em Educação à Distância.

- Verificar como a avaliação contribui para a construção do conhecimento dos alunos em Educação à Distância.

 

ESPECÍFICOS

 

- Refletir e avaliar sobre a forma de avaliar o aluno na Educação a Distância;

- Buscar ampliar a visão de avaliação dentro da modalidade;

- Identificar os objetivos, a importância e as funções da avaliação da aprendizagem.

- Identificar as modalidades, os critérios e os principais instrumentos de avaliação da aprendizagem.

- Caracterizar a avaliação da aprendizagem a distância.

- Aproveitar a preferência dos cursistas com relação às redes sociais - Facebook e Watsapp  e formar grupos de estudo para promover uma maior interação entre os alunos e tutores nos cursos a distância e avaliar de forma sistemática essa participação.

 

5. METODOLOGIA

 

                   Como metodologia, será utilizada uma pesquisa bibliográfica, uma revisão literária, numa visão analítica e um trabalho de campo. A coleta de dados, durante o trabalho de campo será realizada através de um questionário a ser respondido por 20 (vinte) estudantes do curso de pós graduação em Educação à Distância. Os dados coletados serão tabulados, analisados e apresentados no artigo científico.

 

 

 

 

 

 

6. EIXO TEÓRICO

 

1.1. Definição de avaliação

 

Avaliar vem do latim a + valere, que significa atribuir valor e mérito ao objeto em estudo. Portanto, avaliar é atribuir juízo de valor sobre a propriedade de um processo para a aferição da qualidade do resultado. A avaliação da aprendizagem tem seus princípios e características no campo da psicologia, sendo que as duas primeiras décadas do século XX foram marcadas pelo desenvolvimento de testes padronizados para medir as habilidades e aptidões dos alunos.

Para Mendez (2003), avaliação é o processo de indagação e de reflexão e ponto de partida para a ação, não ponto final de comprovações sobre dados passados. Para Freire apud Mendez, (1997), é essencialmente na atividade intersubjetiva moral que se exerce entre sujeito. Assim há quem avalie bem e quem avalie mal mesmo seguindo uma norma. A questão é que avaliar não quer dizer que cometeremos uma falha ou seremos justos, mas consiste na busca de subsídio, apuração de defeitos e salientar os pontos positivos do sujeito em questão, visando sempre o melhor caminho de se atingir o resultado final mais desejado. Como diz Mendes (2003), a avaliação educativa tem sentido e é plenamente justificada quando está a serviço de quem mediante as devidas correções e as indicações pertinentes.

 

Atualmente os objetivos da avaliação visam tanto o processo de aprendizagem quanto os sucessos ou fracassos dos estudantes. Neste sentido, uma diferença fundamental em relação às provas escolares é a avaliação permanente, que se realiza com outros tipos de meios, entre os quais se inclui o conjunto de tarefas realizadas pelo estudante no decurso do ano escolar. A avaliação é, assim, realizada para obter sobre o aluno uma informação mais abrangente que a simples e pontual referência das provas. (ROZÁRIO, apud Webartigos, 2008, 23).

 

                   O termo avaliar tem sido associado a fazer prova, fazer exame, atribuir notas, repetir ou passar de ano. Nessa abordagem o educando é visto como um ser passivo e receptivo. Uma concepção pedagógica moderna considera as vivências múltipla, agregando o desenvolvimento total do educando onde ele é um ser ativo e dinâmico na concentração de seu próprio conhecimento.

                  Luckesi (2000), para definir avaliação lembra que

 

A avaliação da aprendizagem se faz presente na vida de todos nós que, de alguma forma, estamos comprometidos com atos e práticas educativas. Pais, educadores, educandos, gestores das atividades educativas públicas e particulares, administradores da educação, todos, estamos comprometidos com esse fenômeno que cada vez mais ocupa espaço em nossas preocupações educativas. Compreendo e exponho a avaliação da aprendizagem como um recurso pedagógico útil e necessário para auxiliar cada educador e cada educando na busca e na construção de si mesmo e do seu melhor modo de ser na vida.

 

      A avaliação poderá ser considerada então como a utilização de uma ferramenta para diagnosticar os nossos avanços .

                  Segundo Luckesi (2000), o ato de avaliar implica dois processos articulados e indissociáveis: diagnosticar e decidir. Não é possível uma decisão sem um diagnóstico, e um diagnóstico, sem uma decisão é um processo abortado

                   O autor também afirma que,

 

Avaliar a aprendizagem implica estar disponível para acolher nossos educandos no estado em que estejam, para, a partir daí, poder auxiliá-los em sua trajetória de vida. Para tanto, necessitamos de cuidados com a teoria que orienta nossas práticas educativas, assim como de cuidados específicos com os atos de avaliar que, por si, implicam em diagnosticar e renegociar permanentemente o melhor caminho para o desenvolvimento, o melhor caminho para a vida. Por conseguinte, a avaliação da aprendizagem não implica aprovação ou reprovação do educando, mas sim orientação permanente para o seu desenvolvimento, tendo em vista tornar-se o que o seu SER pede.

 

                  A avaliação sempre esteve e sempre estará presente nas atividades humanas. O homem procura, por meio da avaliação, estabelecer melhorias em sua vida, seja no âmbito cognitivo ou social.

                   

 

1.2. Um Breve Histórico da  Avaliação

 

                  A avaliação em si é um conceito que está presente no dia-a-dia de todo ser humano e até mesmo instintivamente nos animais. É uma ação natural e involuntária da qual precisamos recorrer a todo o momento quando fazemos nossas escolhas, nossos juízos, tomamos as nossas decisões.

A história da avaliação caminha através dos tempos, é um conceito que acompanha o desenvolvimento humano e sua relação com o meio social, profissional e pessoal. Não há ação que se pratique que não exija um modo avaliativo de concretizá-lo, caso contrário, o resultado final pode ser desagradável.

Conta a história que o primeiro exame escrito foi realizado na Inglaterra em 1702, até então eram sempre orais. E foi com a invenção da imprensa e com a propagação do livro no mundo que o processo de avaliação tomou forma como é concebido até hoje.

O conceito, métodos, teorias de avaliação também tiveram ou sofreram influência do capitalismo no final do séc. XIX, quando os trabalhadores começaram a se organizar e a demanda por produtos industrializados despencou.

 

Houve um grande investimento em tecnologia e o aperfeiçoamento do modelo de produção taylorista/fordista que baseava-se na organização padronizada e na produção em série e, conseqüentemente na fragmentação do processo. Controlava também a maneira de pensar (racionalidade positiva), contribuindo assim, na alienação do trabalhador. Essas práticas estão fortemente presentes no modelo de avaliação encontrado nas escolas hoje, mesmo tendo a sociedade passado pelo modelo de produção flexível (toyitismo), ao final do século XX. Quando a escola assume um processo de avaliação que atribui uma nota ou cômputo de pontos acumulativos, como se a avaliação fosse um processo isolado de todo caminho percorrido pelo aluno na construção do conhecimento. Esse aluno assume a postura do “operário executor passivo”, ou seja, aquele que tudo realiza sem questionar. (AFONSO, 2000, p. 155-175).

 

Criou-se assim um modelo de avaliação baseado em resultados numéricos, na busca pela perfeição decodificada em números, privilegiando o aspecto quantitativo. O regimento deve ser cumprido, é lógico e burocrático, mas não quer dizer que o conhecimento adquirido possa ser medido num exame ou prova de única vez. A avaliação segue um processo em que o aspecto humano vem em primeiro lugar na hora de avaliar. Um trabalho que deve ser integrado com professores e a escola como um todo.

 

1.3 A Avaliação na Educação à Distância

 

 

                  O ensino à distância está crescendo aceleradamente possibilitando que muitas pessoas se aperfeiçoem e realizem o sonho de ter um curso técnico ou superior. A educação à distância, segundo o Ministério da Educação (MEC) é uma modalidade de ensino que enfatiza a mediação educativa com a utilização das tecnologias da informação e comunicação entre os sujeitos. A utilização das múltiplas tecnologias tem possibilitado um repensar de estratégias e metodologias utilizadas na educação à distância.

                  Geralmente a educação online utiliza o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para fazer acontecer o processo de ensino-aprendizagem e avaliação que ocorre através de dispositivos comunicacionais síncronos e assíncronos. A comunicação síncrona é realizada em tempo real (MSN, Skype, chat, ICQ, entre outros) e a comunicação assíncrona é realizada em tempos diferentes (e-mail, wiki, fórum, entre outros). O ambiente virtual é um lugar de interação onde alunos, professores, tutores, materiais didáticos, instrumentos de avaliação se interagem proporcionando a construção do conhecimento.

                   As práticas de avaliação desenvolvidas na educação à distância não são totalmente a distância. Segundo o MEC (2007) alguns encontros presenciais são obrigatórios “para fins de promoção de estudos e obtenção de diplomas ou certificados”. O artigo 4º do Decreto 5.622 de 19 de dezembro de 2005 regulamenta a avaliação da aprendizagem na modalidade à distância mediante:

 

I – cumprimento das atividades programadas; e

II – realização de exames presenciais.

§ 1o Os exames citados no inciso II serão elaborados pela própria instituição de ensino credenciada, segundo procedimentos e critérios definidos no projeto pedagógico do curso ou programa.

§ 2o Os resultados dos exames citados no inciso II deverão prevalecer sobre os demais resultados obtidos em quaisquer outras formas de avaliação a distancia.

(MEC. Legislação Educacional, 2007)

 

 

                   Apesar de exigir que ocorra exames presencial, o MEC dá autonomia para as Instituições de Ensino elaborar os instrumentos de avaliação conforme o Projeto Pedagógico do curso ou Programa. Dentre várias práticas avaliativas possíveis de serem desenvolvidas na educação online, tem-se o Chat (texto dialogado, trabalho em grupo), Wiki (hipertexto coletivo), Fórum (e-portfólio, história de aluno, estudo de caso), Recursos (biblioteca virtual), Seminário, Trabalho de Conclusão de Curso, etc.

                   Os autores Nunes e Vilarinho (2006), com base nos estudos de Guba e Lincoln (1989) apresentam seis pressupostos sobre as práticas avaliativas na educacao online, sendo eles:

 

1. O dialogo é a essência da avaliação;

2. A avaliação interessa a todos os envolvidos, alunos e professores;

3. A avaliação da aprendizagem dos alunos só se torna consistente quando se faz na relação dialética;

4. A avaliação da aprendizagem torna-se mais abrangente quando entrelaça aspectos qualitativos e quantitativos;

5. A avaliação é instrumento de transformação/mudança;

6. A autoavaliação é elemento-chave para alunos e professores.

 

 

                   Com os pressupostos apresentados pelos autores percebe-se que a avaliação está pautada em um novo modelo de avaliação formativa onde prevalece a comunicação interativa entre os sujeitos, possibilitando um ambiente colaborativo e participativo nos novos espaços de aprendizagem.

                                         

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

AFONSO, Almerindo Janela. Avaliação educacional: para uma sociologia das políticas avaliativas contemporâneas. São Paulo. Cortez. 2000.

 

BARILLI, Elomar Christina Vieira Castilho, Avaliação: acima de tudo uma questão de opção, In: SILVA, Marco (Org.), SANTOS, Edméa (Org.), Avaliação da Aprendizagem em Educação Online, Edições Loyola: São Paulo, 2006.

 

GARCIA, Rosineide Pereira Mubarack. Avaliação da aprendizagem na educação a distância na perspectiva comunicacional / Rosineide Pereira Mubarack Garcia - Cruz das Almas/BA : UFRB, 2013.

 

LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira, CAVALCANTE, Patrícia Smith, A Avaliação da Aprendizagem no Programa de Educação a Distância – Proformação. Disponível em http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/

035-TC-B1.htm, acessado em 15/11/2009.

 

MAIA, Marta de Campos, MENDONÇA, Ana Lúcia, GÓES, Paulo, Metodologia de Ensino e Avaliação de Aprendizagem, 12o Congresso Internacional de Educação a Distância, Florianópolis-SC, 2005. Disponível em http://www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/206tcc5.pdf, acessado em 29/10/2009.

 

MENDEZ, Juan Manuel Alvarez. A Avaliação em uma prática crítica. Revista Pátio, nº 27, ano VII. Artimed Editora. Agosto/outubro 2003.

 

NUNES, L. C.; VILARINHO, L. R. G. Avaliacao da aprendizagem no ensino online: em busca de novas praticas. In: SILVA, Marco; SANTOS, Edmea. Avaliação da aprendizagem em educação online. Sao Paulo: Loyola, 2006, p. 109-121.

 

LITWIN, Edith (org.). Tecnologia Educacional – política, história e propostas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

 

MAIA, Nelly Aleotti. Introdução à Educação Moderna. Rio de Janeiro: UFRJ, 2000.

 

MINISTERIO DA EDUCAÇÃO CULTURA E DESPORTOS. Portaria Ministerial 549189. Brasília: MEC, 1989.

 

VIEIRA, Fábia Magali Santos. Tecnologia da Informática aplicada na educação. Montes Claros: UNIMONTES, 2003. (Apostila)

 

LUCKESI, Cipriano Carlos. Pátio. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Porto alegre: ARTMED. Ano 3, n. 12 fev./abr. 2000.